O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nem sempre acontece durante a infância. Para pessoas que descobrem o autismo na adolescência, na vida adulta ou na velhice, a falta de informação e de caminhos específicos de atendimento ainda é uma barreira. Com esse cenário, o deputado federal Fabio Schiochet (União-SC) apresentou na Câmara dos Deputados um projeto que cria uma política nacional voltada ao diagnóstico tardio do autismo.
O Projeto de Lei 5001/2026 estabelece diretrizes para ampliar a atenção a pessoas que recebem o diagnóstico fora da infância. A proposta prevê ações de conscientização, capacitação de profissionais e organização de fluxos de atendimento em diferentes áreas.
Projeto busca ampliar atendimento após diagnóstico de autismo
A iniciativa apresentada por Schiochet foi inspirada em um projeto do deputado estadual Vicente Caropreso (União Brasil) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A proposta catarinense serviu como referência para levar o tema ao debate nacional.
Entre as medidas previstas estão campanhas de conscientização sobre o diagnóstico tardio e a preparação continuada de profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social e trabalho.
O texto também prevê a criação de ações de acolhimento e orientação depois do diagnóstico, com informações sobre direitos, serviços públicos, acompanhamento em saúde, permanência educacional e inclusão profissional.
“Precisamos olhar para o autismo ao longo de toda a vida. O diagnóstico pode acontecer aos 20, aos 40, aos 60 anos ou até mais tarde, e essas pessoas continuam tendo direito a cuidado, inclusão, autonomia e qualidade de vida. A política pública precisa acompanhar essa realidade”, destacou Schiochet..
Proposta cita grupos com maior dificuldade de diagnóstico
O projeto chama atenção para grupos que historicamente podem ter mais dificuldade de receber o diagnóstico de TEA, como mulheres, idosos e pessoas que vivem em áreas rurais.
Segundo a justificativa apresentada, muitas pessoas passam anos sem compreender determinadas dificuldades e só descobrem estar no espectro autista depois de adultas.
“O diagnóstico de autismo não acontece somente na infância. Existem muitos brasileiros que passam décadas sem entender determinadas dificuldades e só descobrem que estão no espectro já adultos. Precisamos garantir que, depois do diagnóstico, essas pessoas também encontrem informação e acesso aos seus direitos”, afirma Schiochet.
Como isso impacta sua vida?
A criação de uma política nacional ainda depende da tramitação do projeto na Câmara dos Deputados. Caso avance, a proposta pode influenciar a forma como pessoas diagnosticadas com autismo após a infância acessam informações, serviços de saúde, educação e inclusão profissional.
Para moradores de Santa Catarina que receberam ou buscam um diagnóstico tardio de TEA, o projeto coloca em discussão uma demanda de pessoas que muitas vezes chegam aos serviços públicos sem uma rede preparada para essa etapa da vida.
