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Iémen: ONU pede a rebeldes investigação sobre morte de funcionário raptado

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O Governo do Iémen anunciou hoje a morte de um funcionário da ONU que tinha sido raptado há mais de dois anos, responsabilizando os rebeldes, enquanto as Nações Unidas reclamaram aos huthis uma investigação rápida e transparente.

Numa declaração, o ministro dos Direitos Humanos do Iémen, Mashdal Mohamed, condenou “nos termos mais veementes” a morte de Mohamed Ibrahim al-Shami, funcionário do Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que tinha sido raptado há mais de dois anos e cujo paradeiro é desconhecido.

O membro do Governo internacionalmente reconhecido do Iémen atribuiu total responsabilidade pelo seu rapto, desaparecimento forçado e morte sob custódia aos rebeldes huthis.

Mohamed afirmou que as circunstâncias da morte ainda são desconhecidas e que o corpo não foi entregue aos seus familiares, que durante todo o período de cativeiro não puderam visitar nem comunicar com o funcionário humanitário.

O responsável iemenita afirmou que este caso evidencia as falhas dos esforços das Nações Unidas para garantir a proteção dos seus funcionários raptados e garantir a sua libertação.

Neste sentido, sustentou que o prolongamento do cativeiro por mais de dois anos, até que a morte de um dos trabalhadores fosse conhecida sem que a família pudesse saber da sua condição ou visitá-lo, obriga a uma revisão séria da gestão do caso.

Também apelou a medidas mais fortes e eficazes para libertar todos os raptados, clarificar as circunstâncias da morte de al-Shami, garantir que os seus restos mortais sejam entregues à família e responsabilizar os autores.

Por seu lado, o chefe do Escritório dos Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, apelou às “autoridades de facto do Iémen” – referindo-se aos rebeldes huthis que controlam parte do país – para que investiguem de forma imediata e transparente a morte do funcionário da sua agência.

O alto comissário disse que a notícia da morte de Mohamed al-Shami, membro da equipa da agência no Iémen, foi devastadora e que ocorreu há mais de um mês, mas que a sua família só foi informada recentemente.

“Esta é uma perda de partir o coração para o Escritório dos Direitos Humanos e para as Nações Unidas como um todo. A família de Mohamed não recebeu qualquer explicação sobre a causa ou as circunstâncias da sua morte; merecem saber a verdade”, exigiu Türk.

Outros sete funcionários da mesma agência estão detidos no Iémen, além de trabalhadores humanitários e membros da sociedade civil, cuja libertação incondicional foi reclamada pelo alto comissário.

Esta situação destaca a insegurança do pessoal humanitário da ONU e de outros elementos humanitários que trabalham no Iémen, particularmente nas áreas controladas pelos huthis, incluindo cidades densamente povoadas como a capital, Sanaa.

Como parte de uma investigação “urgente, independente e minuciosa”, Türk afirmou que todos os registos médicos e de detenção relevantes devem ser divulgados, que quaisquer provas que possam existir devem ser preservadas e que deve ser realizado um exame independente de qualquer causa suspeita de morte.

“Deve haver responsabilização pelas irregularidades cometidas”, acrescentou.

Sobre os que ainda estão detidos, Türk disse aos huthis que devem garantir a sua segurança, tratamento humano, acesso aos cuidados médicos necessários, contacto com as suas famílias e acesso à ONU.

“Ao deter os nossos colegas, as autoridades ‘de facto’ estão a minar seriamente a nossa capacidade de apoiar o povo do Iémen durante uma crise humanitária e de direitos humanos muito grave”, afirmou.

Leia Também: Iémen condena novos ataques Huthis contra infraestruturas civis

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