O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou que há indícios de crime eleitoral relacionados à paralisação de ônibus durante o dia da eleição em Salvador. Segundo ele, um levantamento realizado por equipes da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) e do Procon da Bahia identificou 970 veículos em nove garagens que estariam aptos a circular, mas não foram utilizados.
Inicialmente, o balanço divulgado apontava cerca de 370 ônibus parados em quatro garagens. Posteriormente, de acordo com o secretário, o número foi atualizado após a ampliação da fiscalização.
Freitas afirmou que os veículos encontrados estavam em boas condições de funcionamento e que a maioria não apresentava adesivos de partidos políticos.
“Nós temos indícios fortes, portanto, de um crime eleitoral que foi praticado”, declarou.
Foto: JP Miranda
Durante a entrevista, o secretário informou que a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, por meio do Procon, preparava um relatório com as informações coletadas durante a fiscalização.
O documento incluiria imagens feitas pelas equipes e registros aéreos realizados com drones, que mostrariam os veículos estacionados nas garagens.
Segundo Freitas, o material seria encaminhado à Polícia Federal para apuração de possíveis crimes eleitorais e à Polícia Civil para investigação de eventuais irregularidades relacionadas aos direitos do consumidor.
O secretário ressaltou que a investigação deverá esclarecer as circunstâncias da paralisação e verificar se houve alguma tentativa de prejudicar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
Felipe Freitas também comentou a situação do secretário de Mobilidade de Salvador, que, segundo o relato apresentado durante a entrevista, estava fora do Brasil no dia da votação.
O secretário estadual questionou a ausência do responsável pela mobilidade urbana da capital em uma data considerada importante para o exercício democrático e para o funcionamento do transporte público.
“É muito estranho ter um servidor público, uma pessoa pública, no dia da eleição, de uma eleição importante do país, estar fora do seu país”, afirmou.
Freitas argumentou que a situação deveria ser analisada pelas autoridades, considerando as responsabilidades administrativas do titular da pasta e a necessidade de garantir o funcionamento do transporte público.
Durante a entrevista, ele também mencionou uma determinação da Justiça Eleitoral envolvendo o secretário municipal e afirmou que a ausência poderia levantar questionamentos sobre o cumprimento dos deveres funcionais.
O secretário estadual destacou que, caso seja comprovado que a paralisação dos ônibus teve como objetivo impedir ou dificultar o acesso dos eleitores aos locais de votação, a situação poderá ter consequências mais graves.
“Se isso foi feito com o objetivo de impedir o povo de votar, o crime é ainda mais grave”, declarou.
