26 de out de 2026 às 11:52
A organização Alliance Defending Freedom (ADF) pediu às autoridades egípcias para libertarem seis jovens cristãos detidos há cerca de duas semanas depois de publicarem um vídeo no TikTok que as autoridades consideraram ofensivo ao Islã.
A organização de defesa jurídica disse, em um relatório de 22 de outubro, que os seis, com idades entre 17 e 23 anos, foram detidos e interrogados sob acusações de “exploração” e “insulto” à religião islâmica.
“Pedimos às autoridades para libertarem esses seis jovens e arquivarem imediatamente qualquer investigação contra eles”, disse Kelsey Zorzi, conselheira sênior e vice-presidente de defesa internacional da ADF.
O vídeo publicado em 4 de outubro continha áudio de um popular filme de comédia egípcio que retratava prisioneiros desconhecedores das orações do Alcorão. Segundo a ADF, os seis recriaram a cena.
“Esses jovens não fizeram nada além de divulgar um vídeo descontraído com uma narração de um filme popular e sem controvérsias, como muitos outros já fizeram na plataforma. Não há motivo para acusá-los ou prendê-los”, disse Zorzi.
A ADF disse que a publicação atraiu comentários que incitavam violência contra os jovens e suas famílias, e que alguns moradores da vila os denunciaram às autoridades.
Em 6 de outubro, os seis foram entregues à polícia para interrogatório, sob o entendimento de que seriam liberados assim que as tensões na aldeia se acalmassem, segundo a organização. Eles permaneciam detidos até o relatório de 22 de outubro.
Zorzi descreveu a detenção deles como parte de um padrão mais amplo de discriminação contra cristãos no Egito.
Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
“Isso é tragicamente comum no Egito, onde os cristãos enfrentam ameaças, discriminação e, em última instância, prisão por discursos que são considerados problemáticos só porque eles não fazem parte da religião majoritária”, disse.
Segundo ADF, os cristãos são entre 10% e 15% da população do Egito. A organização disse que eles continuam enfrentando discriminação, violência e prisão, apesar das garantias constitucionais de liberdade religiosa.
A organização disse que o uso contínuo de leis contra a blasfêmia e outros “insultos” relacionados perpetuou a perseguição aos cristãos coptas.
Segundo a ADF, dezenas de membros de minorias religiosas foram processados e presos no último ano por publicações em redes sociais consideradas blasfemas, em meio a uma repressão mais ampla contra conteúdo on-line considerado ofensivo ao Islã.
A organização citou Augustinos Samaan, um youtuber que, segundo ela, foi condenado a cinco anos de trabalhos forçados por ensinar a fé cristã em seu canal.
O relatório também destacou o caso de Abdulbaqi Saeed Abdo, um pai cristão de cinco filhos, preso sob acusação de blasfêmia por divulgar suas crenças num grupo cristão no Facebook. A ADF disse que ele foi depois libertado com o apoio da organização e se mudou em segurança para outro país.
“A perseguição aos cristãos tem sido um problema persistente no Egito há muitos anos. Temos visto vários casos de indivíduos que são perseguidos e punidos simplesmente por expressarem suas crenças. O Egito precisa tomar medidas para enfrentar essa crise e proteger a liberdade de expressão e a liberdade religiosa para todos”, disse Zorzi.

