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Esperançar no Brasil verde e amarelo

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Está feito! Agora são quatro anos de compromisso com a vida de 214 milhões de brasileiros e brasileiras. O que virá? Que história será escrita?

Eu e mais de 1,1 milhão de pessoas que vivem com HIV/aids no Brasil esperamos que essa nova história seja escrita com responsabilidade, compromisso e, acima de tudo, respeito à vida.

Esperamos chegar às farmácias dos serviços de distribuição e encontrar os medicamentos necessários para manter nossas vidas. Porque esses medicamentos são essenciais. Não são apenas comprimidos: são a garantia da nossa continuidade, da nossa dignidade e do nosso direito de viver.

Esperamos que os serviços de saúde (SAE, CTA e UBS) continuem funcionando com o mesmo compromisso, acolhimento e qualidade, garantindo uma assistência integral, humanizada e livre de discriminação.

Esperamos investimentos e financiamento para pesquisas em HIV/aids, para que a ciência avance e possamos nos aproximar, cada vez mais, da tão esperada cura.

Esperamos a ampliação do acesso aos serviços, às pesquisas e aos medicamentos e tecnologias de prevenção ao HIV, para que todas as pessoas tenham as ferramentas necessárias para se proteger.

Esperamos a continuidade e a ampliação dos recursos financeiros destinados aos governos e à sociedade civil, fortalecendo as ações de prevenção, assistência, educação e enfrentamento à epidemia de HIV/aids.

Esperamos o fortalecimento dos programas e serviços especializados, com políticas públicas efetivas para reduzir a mortalidade, prevenir novas infecções e combater o estigma, o preconceito e a discriminação que ainda atravessam a vida de tantas pessoas.

Esperamos que os próximos quatro anos sejam marcados pelo respeito aos direitos humanos, pelo fortalecimento do SUS, pela valorização da ciência e pela garantia de que nenhuma pessoa vivendo com HIV/aids seja deixada para trás.

Esperamos que o verde e amarelo não sejam apenas as cores de uma celebração, mas as cores de um compromisso real com a vida, com a democracia, com a justiça social e com a cidadania.

Porque, para nós, que vivemos com HIV, o futuro não é apenas uma promessa política. É o direito de continuar vivendo com saúde, dignidade, esperança e cidadania.

A vida precisa estar no centro das decisões. Sempre! Esperançar é participar e resistir!

* Nair Brito é pedagoga, ativista dos direitos humanos e mulher vivendo com HIV desde 1992. Uma das fundadoras do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), é referência histórica na luta contra a aids no Brasil. Foi pioneira na conquista judicial do acesso gratuito aos medicamentos antirretrovirais, contribuindo para a construção de uma das mais importantes políticas públicas de saúde do país. 

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