O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta semana que apoia um “processo eleitoral livre e justo” no Brasil, que terá o segundo turno da sua eleição presidencial no dia 25, e defendeu suas decisões de designar os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e de aplicar sanções econômicas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes via Lei Magnitsky em 2025 – medida que foi retirada em dezembro.
A manifestação ocorreu em uma carta de Katherine Bowles, secretária-assistente do Escritório de Assuntos Legislativos do Departamento de Estado americano, em resposta a um questionamento enviado em setembro por um grupo de 30 deputados federais democratas e pelo senador independente Bernie Sanders (que já fez parte da legenda).
Na ocasião, os opositores a Trump, em uma carta de iniciativa da deputada Delia Ramirez, alegaram uma “aparente tentativa” do governo dos EUA de “interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro”, perguntaram os critérios sobre as medidas contra o PCC, CV e Moraes, entre outros pontos, e também questionaram se a gestão Trump vai reconhecer o resultado da eleição.
“Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”, escreveu Bowles na resposta.
“O departamento mantém um diálogo regular com governos e a sociedade civil em todo o Hemisfério Ocidental sobre governança democrática, independência judicial e integridade eleitoral, inclusive por meio de canais multilaterais estabelecidos, como a Organização dos Estados Americanos [OEA], e diálogo diplomático bilateral”, afirmou a secretária-assistente.
“Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade nos dois países”, disse o Departamento de Estado.
A respeito das sanções contra Moraes, a pasta alegou que o juiz cometeu “graves violações dos direitos humanos”, já que, na visão do governo Trump, “abusou da sua posição ao autorizar prisões preventivas injustificadas e comprometer a liberdade de expressão”.
Bowles escreveu que o ministro do STF promoveu “uma iniciativa direcionada e politicamente motivada para silenciar críticos políticos, por meio da emissão de ordens secretas que obrigavam plataformas digitais, incluindo empresas americanas de redes sociais, a banir contas de indivíduos que publicavam manifestações protegidas pela liberdade de expressão”.
A respeito da designação do PCC e CV como organizações terroristas, o Departamento de Estado afirmou que tal medida “refletiu a avaliação do departamento de que ambas as organizações são altamente violentas, contam com milhares de membros, são responsáveis por ataques contra forças de segurança, autoridades e civis brasileiros e mantêm redes criminosas que se estendem até os Estados Unidos”.
“As medidas do departamento reforçam o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”, justificou a pasta.
