Fernanda Fialho compartilhava a rotina ao lado da filha Ana Laura, que também recebeu diagnóstico de autismoFoto: Fernanda Fialho/@paraquetabu/InstagramA influenciadora Fernanda Fialho, de 29 anos, morreu nesta sexta-feira (2), conforme divulgado nas redes sociais. A notícia causou comoção entre pessoas autistas, familiares e seguidores que acompanhavam o trabalho da criadora de conteúdo, que acumulava quase 163 mil seguidores no Instagram. A causa da morte não foi revelada.
Natural do Rio de Janeiro, Fernanda era autista nível 2 de suporte, mãe de uma menina autista, palestrante e escritora. Por meio do perfil @paraquetabu, criado em 2018, ela compartilhava a própria experiência com o autismo, a maternidade atípica, a saúde mental e a neurodiversidade.
Quem era Fernanda Fialho?
Fernanda criou o @paraquetabu em 2018, inicialmente como um espaço para compartilhar sua experiência com tratamentos de saúde mental. Com o passar dos anos, o perfil cresceu e passou a abordar também sua vivência como mulher autista e mãe de uma criança autista.
O diagnóstico de Fernanda veio depois do diagnóstico da filha. Ao acompanhar Ana Laura nas terapias, ela passou a reconhecer em si características relacionadas ao transtorno do espectro autista e buscou uma avaliação.
Antes disso, ela passou anos em tratamentos psiquiátricos e chegou a ser internada diversas vezes. Em entrevistas, contou que recebeu diagnósticos que posteriormente foram questionados após a descoberta do autismo.
A influenciadora Fernanda Fialho, que morreu aos 29 anos, compartilhava nas redes sociais sua experiência como mulher autista e mãe de uma menina autistaFoto: Fernanda Fialho/@paraquetabu/InstagramMãe de uma menina autista
A relação com Ana Laura era um dos principais temas compartilhados por Fernanda.
Ela mostrava nas redes sociais situações da rotina de uma família atípica, incluindo terapias, dificuldades, descobertas e momentos de afeto entre mãe e filha.
Fernanda também falava abertamente sobre a necessidade de uma rede de apoio. O pai dela tinha papel importante na rotina da família e ajudava nos cuidados com Fernanda e Ana Laura.
Escritora e palestrante
Além do trabalho nas redes sociais, Fernanda levou sua experiência para livros, palestras e eventos relacionados ao autismo.
Ela é autora de “A História que Meus Pais Não Contariam – Sobrevivendo sem o Diagnóstico de Autismo”, obra em que conta sua trajetória até descobrir o diagnóstico e como a chegada da filha contribuiu para que ela compreendesse a própria história.
Fernanda também participou de congressos e podcasts voltados à discussão sobre autismo e neurodiversidade. Em uma participação no AutisPod, por exemplo, falou sobre a experiência de ser uma família em que mãe e filha têm diagnóstico de autismo nível 2 de suporte.
Além de produzir conteúdo nas redes sociais, Fernanda Fialho atuava como palestrante e escritora em temas relacionados ao autismo e à saúde mentalFoto: Fernanda Fialho/@paraquetabu/InstagramMorte de Fernanda Fialho
A notícia da morte foi divulgada nesta sexta-feira e provocou manifestações de luto entre pessoas que acompanhavam seu trabalho e sua trajetória.
Nas homenagens publicadas após a notícia, seguidores destacaram a importância de Fernanda para a discussão sobre autismo na vida adulta, maternidade atípica e saúde mental.
A trajetória dela também deixou uma marca entre pessoas autistas que se identificavam com os relatos compartilhados nas redes sociais.
