A partir de seu livro ‘Contos da Cela 3’, Amelinha Teles abordou experiências e memórias do regime militar. Foto: reprodução/Facebook
A escritora e militante feminista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu aos 81 anos. A informação foi divulgada por amigos nas redes sociais nesta terça-feira (15). Ela foi uma das vítimas da repressão durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). O velório será realizado nesta quarta-feira (16), das 11h às 16h, na Reitoria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), na capital paulista.
Amelinha esteve em Sorocaba em abril deste ano para participar do evento “Mulheres, Memória e Resistência”, no qual falou sobre direitos humanos e histórias que atravessam a luta das mulheres. O encontro foi realizado no Núcleo ETC da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Sorocaba, no Jardim Santa Rosália.
Nascida em Contagem (MG), Amelinha militou no PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e se tornou uma importante voz na denúncia das violações cometidas pelo regime militar.
Em 1972, ela foi presa e torturada no DOI-Codi de São Paulo pelo então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na mesma ocasião, seu marido, César Augusto Teles, e o militante Carlos Nicolau Danielli também foram presos e levados ao centro de repressão.
Durante o período de prisão, Amelinha presenciou o assassinato de Danielli. Seus dois filhos, então com 4 e 5 anos, também foram sequestrados e levados ao local, onde foram obrigados a assistir às torturas sofridas pelos pais.
Após a ditadura, Amelinha manteve a atuação na defesa dos direitos humanos. Ela participou da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e transformou parte de suas experiências em livros.
“Tortura é uma ferida que não cicatriza. Esta ferida, de vez em quando, sangra. Há momentos em que você tem recaídas. É um trauma pra vida toda: sou sobrevivente, sou vítima, sou lutadora, sou militante, sou feminista, porque sou deste mundo e participo do que está acontecendo”, disse
Amelinha a Universa em 2022.
Entre suas obras estão “Contos da Cela Três”, escrito a partir de memórias registradas em 1973, durante o período em que esteve presa; “Breve História do Feminismo no Brasil”; e “O Que São os Direitos Humanos das Mulheres?”.
