Setembro Amarelo nos convida a falar sobre saúde mental, mas também sobre algo que vem antes dela: o sentimento de pertencimento. E, quando falamos de crianças e adolescentes atípicos, essa conversa ganha uma importância ainda maior.
Vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, espera que todos se comportem, aprendam, se comuniquem e se relacionem da mesma maneira. Quando uma criança foge desse padrão, é comum que o primeiro impulso seja tentar fazê-la se encaixar. Mas será que estamos perguntando o que ela precisa para se sentir parte?
Uma criança autista, com TDAH, deficiência intelectual ou outras condições do neurodesenvolvimento pode enfrentar dificuldades que vão muito além dos desafios relacionados ao aprendizado ou à comunicação. O bullying, a exclusão, a comparação constante e a sensação de ser diferente podem afetar profundamente a autoestima e a maneira como ela enxerga a si mesma.
Por isso, inclusão não pode significar apenas colocar a criança dentro da sala de aula ou garantir que ela participe de uma atividade. Incluir é criar condições para que ela seja respeitada, compreendida e tenha espaço para expressar o que sente.
Também precisamos prestar atenção aos sinais. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, alterações no sono ou na alimentação e maior irritabilidade podem indicar que algo não vai bem. Nem sempre a criança conseguirá dizer “estou sofrendo”. Às vezes, ela vai comunicar isso por meio do comportamento.
É responsabilidade dos adultos construir espaços seguros para que essas emoções possam aparecer. Família, escola e profissionais precisam trabalhar juntos, não apenas para desenvolver habilidades, mas para cuidar da criança como um todo.
Falar de Setembro Amarelo, portanto, também é falar sobre prevenção, escuta e acolhimento. É entender que saúde mental começa a ser construída muito antes de uma crise e que ninguém deveria precisar esconder quem é para ser aceito.
Talvez uma das perguntas mais importantes que possamos fazer a uma criança não seja “por que você não consegue ser como os outros?”, mas “o que podemos fazer para que você se sinta bem sendo quem é?”.
Porque acolher a diferença não significa diminuir expectativas. Significa oferecer caminhos para que cada criança possa se desenvolver sem precisar carregar o peso de acreditar que há algo errado com ela.
