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O número de candidatos que se declaram autistas nas eleições gerais deste ano cresceu mais de cinco vezes em relação ao pleito de 2022, passando de 13 para 70 pedidos de registro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Do total, 39 concorrem a deputado estadual, 22 a deputado federal, cinco a uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal, três a vice-governador e um a primeiro suplente.

O movimento vai na contramão do total de candidaturas no país, que caiu de 29.262 em 2022 para 20.829 neste ano, número que ainda pode ser ajustado pelo TSE. Ao todo, 524 candidatos declararam algum tipo de deficiência à Justiça Eleitoral: 208 física, 112 visual, 59 auditiva e 145 de outras naturezas, incluindo o autismo. Em 4 de outubro, esses candidatos vão disputar o voto de cerca de 158,74 milhões de eleitores, dos quais aproximadamente 1,97 milhão têm alguma deficiência, alta de 42% frente aos 1,38 milhão registrados em 2022.

Para a terapeuta Simone Alli Chair, presidenta da Associação Vozes Atípicas e mãe de duas filhas autistas, o salto reflete avanços no diagnóstico e a crescente visibilidade do tema, e não necessariamente um aumento real na proporção de pessoas autistas na população. Ela pondera, porém, que o interesse eleitoral pelo tema nem sempre vem acompanhado de compromisso concreto: segundo Simone, é comum que candidatos busquem votos do segmento sem depois priorizar suas demandas reais, condicionando apoio a projetos à exposição política. A ativista também critica propostas genéricas de ampliação de atendimentos que ignoram a necessidade de profissionais especializados e de continuidade no tratamento, e defende que o eleitor avalie com cuidado o histórico e a viabilidade técnica das promessas de campanha.

Já o cientista político João Francisco Meira, sócio-fundador do Instituto Vox Populi, atribui o fenômeno a uma lógica de segmentação eleitoral, sobretudo nas disputas proporcionais. Segundo ele, diante de um universo amplo de candidatos disputando o mesmo espectro ideológico, pautas específicas como a neurodiversidade funcionam como estratégia de diferenciação para atrair eleitores além das fronteiras partidárias tradicionais, num movimento que tende a se repetir a cada eleição conforme novos temas ganham espaço na agenda política.​​​​​​​​​​​​​​​​

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