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Redes latino-americanas divulgam documento sobre Clima e Casa Comum

Reflexões das redes eclesiais latino-americanas em contextos de extrativismo. A partir de uma iniciativa das redes e organismos eclesiais latino-americanos CBJP, Iglesias y Minería, Pax Christi, REGCHAG, REMAM e REPAM , por meio de seus bispos presidentes ou consultores, divulgado um documento que busca oferecer uma reflexão mais profunda sobre o diálogo e o compromisso sociotransformador da Igreja.

Vatican News

Estamos vivendo um momento de extrema gravidade para o nosso planeta e para toda a comunidade da vida. Como afirma o Chamado pela Justiça Climática e pela Casa Comum, subscrito pelas conferências e conselhos episcopais católicos da África, Ásia, América Latina e Caribe, encontramo-nos perigosamente próximos de pontos de não retorno na crise climática e ambiental.

Há uma convergência de interesses e necessidades vorazes que buscam preservar e ampliar as atuais estruturas de poder econômico e financeiro, alimentar uma demanda crescente por energia e pelos bens da terra a qualquer custo, e sustentar um vigoroso sistema militar que, com frequência, acompanha dinâmicas de agressão, espoliação e saque.

O Papa Leão XIV reconhece no símbolo bíblico de Babel uma imagem eloquente dessa lógica tecnocrática do poder: “Babel revela assim o limite de toda construção que, por grandiosa que seja, surge da absolutização do humano e de sua pretensão de autossuficiência, sacrifica a dignidade das pessoas em nome da eficiência e aspira a alcançar o céu sem a bênção de Deus”[2].

Se a humanidade não conseguir promover com urgência transformações profundas, a deterioração das condições que tornam possível a vida continuará se acelerando, com consequências cada vez mais graves para as gerações presentes e futuras.

Diante de um cenário dessa magnitude, pareceria natural concentrar todos os esforços em influenciar aqueles que hoje possuem maior capacidade de decisão política, econômica e financeira. No entanto, o Evangelho e a tradição social da Igreja nos convidam a reconhecer outro caminho, igualmente realista e profundamente transformador: começar por escutar aqueles que sofrem as consequências deste modelo e descobrir neles um lugar privilegiado de discernimento, esperança e renovação histórica. Então, essa escuta poderá projetar-se para as esferas de decisão, incidindo sobre elas a partir da lógica da fraqueza, de acordo com o axioma paulino: “quando sou fraco, então é que sou forte” (1Cor 12,10).

Recentemente, em uma mensagem em vídeo dirigida à comunidade de Lampedusa, preparando sua visita, o Papa Leão XIV afirmava: “A história é devastada pelos poderosos, mas é salva pelos humildes, pelos justos e pelos mártires, nos quais resplandece o bem e a autêntica humanidade resiste e se renova”[3].

Por isso, a partir de uma iniciativa das redes e organismos eclesiais latino-americanos CBJP, Iglesias y Minería, Pax Christi, REGCHAG, REMAM e REPAM[4], por meio de seus bispos presidentes ou consultores, este documento busca oferecer uma reflexão mais profunda sobre o diálogo e o compromisso sociotransformador da Igreja.

Trata-se de uma contribuição realizada em um espírito de comunhão, discernimento e colaboração, a partir de uma perspectiva sinodal que busca escutar e integrar as vozes das periferias, permanecendo aberta ao encontro com outras experiências e olhares. Este texto nasce, sobretudo, do acompanhamento a comunidades afetadas pelo extrativismo, uma realidade que continua gerando contaminação, deslocamentos, conflitos, violação de direitos e diversas formas de violência em nossa Pátria Grande.

Nesses territórios ressoam com frequência perguntas que também interpelam a Igreja: de onde provêm tantas agressões contra nossos territórios? Quem as financia? Que interesses sustentam as ameaças contra aqueles que defendem a vida, os bens comuns e os direitos das comunidades?

Procuramos dialogar com as comunidades afetadas, deixando-nos orientar por sua própria experiência e pelo exemplo de seus processos de resistência não violenta e organização. Estamos convencidos de que as mudanças mais profundas não podem acontecer unicamente dentro da gramática, das regras e dos hábitos do poder, que tende sempre a se justificar e a se reproduzir.

Por isso, são necessárias decisões corajosas e transformações profundas nos modelos de desenvolvimento, produção e consumo, assim como nas estruturas de poder que hoje condicionam a vida dos povos e da Casa Comum. Nessa perspectiva, ressoa com particular atualidade o chamado recolhido pelo Papa Francisco na Laudato Si’ (n. 5), retomando São João Paulo II, para promover “mudanças profundas […] nas estruturas consolidadas de poder que regem hoje a sociedade”.

Reflexões sobre o diálogo

Diversos atores costumam afirmar que o diálogo constitui a via mais adequada para solucionar os conflitos e construir consensos. Desde o setor empresarial e os atores governamentais até as comunidades afetadas e os movimentos sociais, todos reconhecem sua importância. No entanto, o termo “diálogo” costuma adquirir significados diferentes segundo a experiência e a posição que cada ator ocupa na realidade social.

A compreensão do diálogo por parte de uma empresa não coincide necessariamente com a de uma comunidade afetada por um projeto extrativista. As expectativas, as necessidades e as possibilidades de incidência costumam ser muito diferentes. Por isso, mais do que afirmar de maneira genérica a necessidade do diálogo, é importante discernir as condições que permitem que ele contribua efetivamente para a justiça, a reconciliação e a transformação dos conflitos.

A partir de nossa experiência pastoral e social, gostaríamos de destacar seis dimensões que consideramos fundamentais para um diálogo autenticamente transformador.

 

1. Reconhecer as assimetrias de poder

Um diálogo justo requer interpretar adequadamente a realidade e as relações de força existentes entre os diferentes atores, sem relativizar as assimetrias de poder.

Existe um uso ilegítimo do poder quando determinados atores podem influenciar de maneira desproporcional as decisões que afetam a vida de outros grupos sociais. Em numerosos conflitos socioambientais, a questão central colocada às comunidades não é se determinado projeto econômico deve ou não ser realizado, mas sob quais condições as comunidades deverão aceitá-lo. Quando isso acontece, o próprio ponto de partida do diálogo se torna problemático, pois as alternativas já foram previamente limitadas por poderes nacionais e locais, com a ingerência ou influência de poderes corporativos transnacionais.

Com frequência, em nome do diálogo, reúnem-se em um mesmo espaço atores que possuem responsabilidades, capacidades de decisão, acesso à informação e recursos profundamente desiguais. Desvirtua-se, assim, uma participação mais justa e significativa.

Além disso, as decisões corporativas costumam responder a dinâmicas institucionais, financeiras e regulatórias que excedem a capacidade de decisão das pessoas que representam essas corporações nos espaços de diálogo. Por isso, é importante considerar não apenas os interlocutores presentes, mas também as estruturas e condicionamentos que influenciam as decisões que posteriormente deverão ser tomadas.

 

2. A Igreja como garante da voz das vítimas

A Igreja não pode ser considerada uma observadora e mediadora neutra em contextos de conflito. Seu compromisso com o diálogo nasce da opção preferencial pelos empobrecidos e da convicção evangélica de que a dignidade das pessoas mais vulneráveis constitui um critério fundamental para o discernimento social e pastoral.

Desde a Sagrada Escritura, na qual são destacadas as audaciosas ações não violentas de Jesus em um contexto de opressão e dominação sobre seu povo, passando pela tradição dos Padres da Igreja e chegando ao magistério contemporâneo, encontramos um constante convite a escutar o clamor daqueles que sofrem. Essa orientação aparece claramente em documentos recentes como Laudato Si’, Dilexi Te e Magnifica Humanitas[5].

Do mesmo modo, diversas correntes de educação popular, entre elas a proposta de Paulo Freire[6], lembram que os processos de transformação social requerem reconhecer o protagonismo daqueles que vivenciam situações de exclusão, vulnerabilidade ou injustiça.

O Papa Leão XIV reafirma a importância do diálogo (MH 219-223) e de uma cultura da negociação orientada ao encontro e à convergência, no contexto da diplomacia entre os Estados. No entanto, antes disso, sublinha uma condição essencial para todo processo de reconciliação: assumir o olhar das vítimas. Como afirma a encíclica: “Não podemos permanecer no nível de análises abstratas. Como recordou o Papa Francisco, devemos ‘tocar a carne’ daqueles que sofrem: olhar os rostos, escutar as histórias, reconhecer as feridas” (MH 216).

Por isso, o diálogo promovido pela Igreja não pode prescindir da escuta prioritária daqueles que sofrem as consequências dos conflitos que se busca enfrentar.

 

3. Dar autoridade, voz e oportunidade de apresentar propostas às vítimas

As vítimas não podem ser consideradas unicamente como pessoas convidadas à mesa de nossos diálogos, muito menos como referências distantes ou meramente consultadas de maneira indireta. É necessário que ocupem um lugar de reconhecimento e autoridade nos processos de escuta promovidos pela Igreja, assim como espaços reais de expressão direta nos diálogos convocados.

A Igreja é chamada a dar uma prioridade especial aos processos de escuta, comunhão e intercâmbio entre as próprias comunidades afetadas e os setores empobrecidos, antes dos espaços de diálogo ampliados a outros atores sociais.

A partir da perspectiva da ecologia integral, essa escuta deve abrir-se também às vítimas não humanas da crise socioambiental, reconhecendo que a devastação de ecossistemas, espécies e territórios faz parte de uma mesma lógica de violência que afeta simultaneamente os povos e a Casa Comum. Como recorda a Laudato Si’, Maria “se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo devastadas pelo poder humano” (LS 241). A escuta eclesial é chamada, portanto, a acolher tanto o clamor dos empobrecidos como o clamor das demais criaturas feridas pelos atuais modelos de produção e consumo.

Valorizamos o diálogo quando ele constitui uma oportunidade efetiva de transformação das relações sociais e de enfraquecimento das assimetrias existentes. Nesse sentido, pode-se falar de um “diálogo orientado à transformação”, ou “diálogo emancipador”, na medida em que contribui para uma maior justiça e equidade nas relações e na distribuição do poder.

 

 

4. Garantir a transparência e o acesso universal à informação

Com frequência, um dos principais obstáculos para que as comunidades possam defender seus direitos diante de grandes projetos corporativos é a falta de informação adequada, oportuna e acessível sobre aquilo que se projeta em seus territórios.

Em diversas ocasiões, as alianças entre atores políticos e corporativos geram acordos prévios que depois são apresentados às comunidades já em fase de implementação, solicitando processos de diálogo que buscam mais a legitimação instrumental por meio da aceitação do que a deliberação real. Nesse sentido, a transparência e o acesso equitativo à informação devem ser garantidos antes de qualquer processo de negociação ou decisão.

O marco jurídico internacional oferece diversas ferramentas que buscam proteger as comunidades potencialmente afetadas por projetos de grande impacto, entre elas o princípio da precaução, a inversão do ônus da prova e o consentimento livre, prévio e informado.

 

5. Situar o diálogo nos territórios em conflito

As declarações gerais de princípios, e ainda mais as autodeclarações de sustentabilidade ou responsabilidade ética por parte das empresas, podem revelar-se insuficientes se não forem acompanhadas de mecanismos verificáveis nos territórios.

Diversos relatórios elaborados por comunidades afetadas e equipes independentes de investigação têm demonstrado, em numerosos casos, as limitações ou inconsistências de determinados relatórios corporativos, o que reforça a necessidade de critérios de verificação externa e de participação local.

Nessa mesma linha, a Mensagem das Conferências e Conselhos Episcopais católicos da África, América Latina e Caribe e Ásia por ocasião da COP30 adverte sobre o risco de falsas soluções promovidas por atores econômicos e políticos diante da crise socioambiental. Entre elas, mencionam a financeirização da natureza, a expansão da mineração em nome da transição energética e diferentes formas de monocultivo energético. Segundo o documento, essas iniciativas, concebidas frequentemente longe dos territórios e impostas às comunidades locais, “perpetuam o sistema de exploração, ignorando a necessidade de uma mudança estrutural”[7].

Por isso, o verdadeiro diálogo deve situar-se também nos territórios onde os conflitos se tornam visíveis, onde os impactos são vivenciados cotidianamente e onde as comunidades resistem e cuidam de seus territórios e de sua cultura, formulando demandas concretas de prevenção, reparação, mitigação ou, em alguns casos, de revisão e reconsideração dos próprios projetos.

Como assinala o documento Visão católica da mineração, elaborado pela Universidade de Notre Dame em colaboração com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e a Caritas Internationalis: “As decisões sobre a mineração que afetam as populações locais não devem ser impostas por autoridades distantes sem o consentimento e a participação daqueles que são diretamente afetados”[8].

A realização de encontros de diálogo distantes dos territórios pode contribuir para a reflexão geral, mas pode permanecer desconectada da realidade concreta e não incidir efetivamente na transformação dos conflitos nem na proteção dos ecossistemas afetados pela indústria extrativa.

As Orientações pastorais das Igrejas católicas diante da mineração do CELAM, assim como o documento Visão católica da mineração, sublinham a importância do consentimento livre, prévio e informado e das avaliações de impacto como elementos centrais de qualquer processo de discernimento.

 

6. Monitoramento e controle das ações empresariais por meio das leis e instituições públicas

A sustentabilidade e o respeito aos direitos humanos por parte das empresas não podem depender exclusivamente de iniciativas voluntárias ou da boa vontade corporativa. É fundamental que a regulamentação das atividades econômicas nos territórios esteja fundamentada no cumprimento efetivo das leis, assim como em marcos normativos capazes de responder à urgência da atual crise socioambiental.

Entre essas iniciativas, nossas redes promovem há anos, juntamente com organizações aliadas de diferentes continentes, a adoção, no âmbito das Nações Unidas, de um Tratado Vinculante sobre Empresas e Direitos Humanos, assim como o desenvolvimento e fortalecimento de marcos de Devida Diligência corporativa nos países e regiões onde as empresas operam e investem.

É necessário fortalecer as instituições responsáveis por supervisionar, avaliar e fazer cumprir essas normas, assim como identificar claramente os atores com competência nesses processos. Nesse sentido, o papel do Estado democrático e das instituições de justiça é insubstituível.

Da mesma forma, o papel da Igreja no acompanhamento pastoral das comunidades em seus territórios é fundamental. Em diversos contextos, as comunidades enfrentam situações de corrupção política, captura institucional ou conivência entre atores políticos e econômicos[9]. Nesse sentido, a Igreja acompanha e apoia as legítimas reivindicações das comunidades por políticas públicas justas, maior transparência institucional e respeito efetivo aos direitos humanos e socioambientais.

O Papa Francisco, em seu magistério, insiste na importância dos “grandes caminhos de diálogo”, mas vinculando-os sempre a processos políticos responsáveis nos níveis internacional, nacional e local[10].

 

Conclusão

Nestes últimos anos, a Igreja empreendeu importantes caminhos de escuta, discernimento e diálogo, com um notável potencial para abrir-se evangelicamente a novas intuições e práticas pastorais diante dos desafios cada vez mais complexos de nosso tempo. O caminho sinodal que estamos percorrendo permitiu encontros pouco habituais e, em muitos casos, profundamente desafiadores, renovando a convicção de que o Espírito continua guiando a Igreja onde existe uma disposição sincera para escutar, aprender e caminhar juntos.

Com este mesmo espírito de comunhão e corresponsabilidade, oferecemos estas reflexões como uma contribuição ao discernimento eclesial. As considerações aqui apresentadas não pretendem limitar os processos de diálogo promovidos pela Igreja, mas ajudar para que estes respondam cada vez mais plenamente à sua vocação evangélica, prestando especial atenção às assimetrias de poder, à centralidade das vítimas humanas e não humanas e à escuta das comunidades que vivem cotidianamente os conflitos socioambientais.

Nesse sentido, valorizamos particularmente as iniciativas que podem contribuir para aquilo que o Papa Francisco denominou “multilateralismo a partir de baixo”[11], entendido como a construção de processos de diálogo e de tomada de decisões mais próximos das realidades concretas dos territórios e do protagonismo daqueles que os habitam e deles cuidam.

Confiamos que, caminhando por esse caminho, a Igreja profética continuará oferecendo ao mundo um testemunho crível de esperança, promovendo uma cultura do encontro que não evite os conflitos, mas contribua para transformá-los a partir da verdade, da justiça, da dignidade das pessoas e do cuidado da Casa Comum.

 

Em Cristo,

Setembro de 2026,

 

 

Mons. Vicente de Paula Ferreira
Bispo de Livramento de Nossa Senhora

P. Dário Bossi
MCCJ
Rede Iglesias y Minería

 

Mons. Jose Colin Bagaforo
Bispo Copresidente

Martha Inés Romero
Secretária-Geral
Pax Christi International

 

Mons. Ángel José Macin
Coordenador Regional

Irmã Rosita Sidasmed
Secretária Executiva
REGCHAG

 

Mons. Gustavo Rodríguez
Presidente

P. José Noel Ortiz Pineda
Secretário Executivo

Irmã Dominga Urquía
Secretária Adjunta
REMAM

 

Mons. Rafael Cob
Presidente

Ximena Lombana
Secretária Executiva
REPAM

 

Dom José Valdeci Mendes
Bispo de Brejo

Sonia Gomes de Oliveira
Secretária Executiva
CBJP

Fonte: REPAM

[1] CBJP: Comissão Brasileira Justiça e Paz; REGCHAG: Rede Grande Chaco e Aquífero Guarani; REMAM: Rede Eclesial Mesoamericana; REPAM: Rede Eclesial Pan-Amazônica.

[2] Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, n. 7.

[3] https://www.vatican.va/content/leo-xiv/it/messages/pont-messages/2025/documents/20250912-videomessaggio-progetto-unesco.html

 

[4] CBJP: Comissão Brasileira Justiça e Paz; REGCHAG: Rede Grande Chaco e Aquífero Guarani; REMAM: Rede Eclesial Mesoamericana; REPAM: Rede Eclesial Pan-Amazônica.

[5] Cf. LS 158; DT 16–23; MH 216.

[6] Freire, P. (2005). Pedagogia do oprimido (2.ª ed.). Siglo XXI Editores.

[7] https://www.vaticannews.va/es/vaticano/news/2025-07/justicia-climatica-documento-celam-africa-asia-cop-30.html

[8] https://www.humandevelopment.va/content/dam/sviluppoumano/news/2025-news/10-octobre/webinar-catholic-approaches-to-mining/catholic_approaches_to_mining_2025_spanish_digital.pdf

[9] Czerny, M., Colacino, L., The Church and Pastoral Theology in Conflicts over Natural Resources: The Case Study of Juan Antonio López, Religions 2026, 17, 636.

[10] Papa Francisco, Laudato Si’, n. 164-198.

[11] Papa Francisco, Laudate Deum, n. 38.

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