Masih Alinejad é apresentada sistematicamente nos Estados Unidos como ativista iraniana pelos “direitos humanos” e pela liberdade das mulheres. Sua atuação, porém, está estreitamente vinculada à campanha de Washington contra o Irã e à defesa das agressões realizadas pelos Estados Unidos e por “Israel” contra seu próprio país.
O caso mais recente envolve uma família iraniana que residia legalmente nos Estados Unidos. Maryam Tahmasebi, seu marido, Eissa Hashemi, e o filho adolescente do casal foram presos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) depois de uma campanha pública promovida por Alinejad. Segundo o relato da família, reproduzido por The Nation e pelo The Grayzone, nenhum deles tinha cometido crime ou violação das leis de imigração.
Alinejad atacava Hashemi pelo simples fato de ele ser filho de Masoumeh Ebtekar, antiga autoridade iraniana. Depois das prisões, elogiou o secretário de Estado Marco Rubio e reclamou que o governo Biden não havia utilizado anteriormente uma lista elaborada por ela com parentes de autoridades iranianas residentes nos Estados Unidos.
Sua ligação com Washington não começou agora. Alinejad trabalhou para o serviço persa da Voz da América, emissora financiada pelo governo norte-americano, e recebeu contratos que, segundo documentos citados pelo The Grayzone, chegaram perto de US$1 milhão. O mesmo levantamento cita telegramas vazados do Departamento de Estado segundo os quais ela teria atuado como informante confidencial norte-americana depois de deixar o Irã.
Neste ano, Alinejad também comemorou os ataques dos Estados Unidos e de “Israel” ao Irã e festejou o assassinato do aiatolá Ali Khamenei. Ao mesmo tempo, participa de campanhas contra defensores da Palestina e promove a política de mudança de regime defendida pelo imperialismo.
O material disponível comprova uma atuação política a serviço de Washington e da ofensiva sionista, embora não estabeleça que Alinejad seja formalmente integrante do Mossad. A expressão “agente” tem, portanto, sentido político: trata-se de uma personagem que atua na campanha organizada pelos inimigos do Irã para destruir o regime e impor ao país um governo dócil ao imperialismo.
Essa é a verdadeira função de muitos dos “ativistas de direitos humanos” fabricados e promovidos pelo aparelho imperialista: apresentar como luta democrática uma campanha cuja força decisiva vem de governos estrangeiros, serviços de espionagem, bloqueios econômicos, atentados e guerras.
