InícioautismoMais de 1,1 milhão de brasileiros são autistas

Mais de 1,1 milhão de brasileiros são autistas

Da Agência Bori. Em 2023, mais de 1,1 milhão de pessoas autistas viviam no Brasil, representando 0,53% da população. O impacto do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na qualidade de vida da população brasileira equivale a 207 mil anos de vida saudável perdidos — uma medida usada por pesquisadores para dimensionar o quanto uma condição de saúde afeta o bem-estar e a funcionalidade das pessoas ao longo do tempo, considerando tanto o número de casos quanto a gravidade de cada um. A condição é mais prevalente em homens e em crianças menores de cinco anos. A conclusão é de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicada na Revista Brasileira de Epidemiologia em 7 de agosto de 2026.

A análise considerou dados do estudo Global Burden of Disease de 2023 (em tradução livre, Carga Global de Doenças), permitindo estimar a prevalência e o impacto do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na saúde da população. O número de casos corresponde a 0,53% da população, com mais de 23 mil novos casos estimados em 2023. Ao ajustar os dados pela idade da população, os pesquisadores observaram um leve aumento nas taxas de prevalência, incidência e impacto do TEA na saúde entre 1990 e 2023 — no caso da prevalência, essa variação não foi estatisticamente significativa, sendo descrita pelos autores como estável ao longo do período. Já a taxa bruta de incidência (sem ajuste por idade) foi a única que caiu no período, passando de 12,96 para 11,19 casos por 100 mil habitantes.

“Esse achado não significa, necessariamente, que existam menos pessoas autistas hoje. É importante interpretar com cautela, considerando que o acesso ao diagnóstico ainda é desigual no Brasil e que os métodos utilizados para estimar esses indicadores também evoluem ao longo do tempo”, afirma a pesquisadora Nathalia Dimer, que ressalta a necessidade de mais investimentos para compreender o cenário.

O estudo é o primeiro levantamento nacional sobre TEA baseado nas estimativas do Global Burden of Disease, e não em dados de autorrelato. É uma perspectiva diferente do Censo de 2022, que apontou para 1,2% da população se identificando como autista. “No Brasil, o acesso ao diagnóstico do TEA ainda é desigual entre regiões e grupos populacionais, o que pode influenciar as estimativas”, explica.

Para a pesquisadora, o país ainda precisa investir mais em pesquisas de qualidade, especialmente em estudos epidemiológicos e na produção de dados primários. “Quanto melhores forem os dados disponíveis, mais precisas serão as políticas públicas e o planejamento da assistência às pessoas autistas e suas famílias”, conclui Dimer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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